Comando Local de Greve da UFES publica Carta Aberta a População Capixaba

Carta Aberta à População: as razões da greve na Ufes

Desde o dia 17 de maio, os professores da Universidade Federal do Espírito Santo estão em greve, compondo o movimento grevista em nível nacional. O Comando de Greve da Ufes vem a público explicar à população as razões desta decisão.

As reivindicações em questão estão ligadas às condições cotidianas de trabalho, à remuneração dos professores, e também ao planejamento da carreira em longo prazo. A greve resulta do fracasso nas negociações com o Governo Federal que, em 2010, propôs um Plano de Carreira bastante desfavorável aos docentes, pois dificulta a progressão funcional, interfere negativamente nos salários e, em última instância, faz com que a carreira universitária ofereça cada vez menos atrativos para novos professores e pesquisadores.

O ponto mais importante da atual greve dos professores é a conquista de um Plano de Carreira digno e condizente com a importância de seu papel na sociedade. Além disso, outra importante questão refere-se às condições cotidianas de trabalho, tanto no que diz respeito a espaços físicos e equipamentos adequados, quanto de professores em número suficiente para que cada um cumpra seu papel satisfatoriamente, sem sobrecarga de trabalho e distorções funcionais.

Sabe-se que os professores das universidades públicas formam os profissionais de TODAS as áreas de nível superior. São muitos profissionais semestralmente formados por uma categoria que, há anos, vem trabalhando em condições financeiras, operacionais e psicológicas frágeis e que, mesmo após anos de carreira e investimento em suas próprias formações, recebem remunerações muito aquém de sua qualificação.

Embora venham trabalhando há anos em condições pouco adequadas, os professores das universidades públicas são agentes sociais estratégicos. Eles são os principais responsáveis pela produção de novos conhecimentos, por meio da prática da Pesquisa, fundamental para o desenvolvimento científico, cultural e econômico do país, e também para a resolução de seus graves problemas sociais. Por fim, são os professores das universidades públicas que conduzem inúmeras atividades de Extensão, voltadas ao atendimento de várias demandas da população e à democratização efetiva do conhecimento produzido dentro das instituições.

Trata-se de uma categoria de enorme importância para o país em diversos sentidos, e que não pode ser tratada pelo Governo Federal de maneira leviana e desqualificadora. Caso o Plano de Carreira proposto pelo Governo seja aprovado sem as reivindicações feitas pelo movimento docente, a qualidade da produção da Universidade será severamente afetada, prejudicando a população e o país, em curto, médio e longo prazo.

A greve em questão não se refere apenas aos interesses salariais ou individuais de cada professor: ela diz respeito à saúde e à educação de crianças e adultos; diz respeito ao desenho e ao planejamento das cidades, e ao desenvolvimento do país; diz respeito à diminuição das injustiças sociais e à melhoria das condições de vida de todo e qualquer cidadão brasileiro.

A greve dos professores diz respeito a todos e a cada um de nós.

Comando Local da Greve dos Professores

Universidade Federal do Espírito Santo,

em 18 de maio de 2012.

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