A Greve dos Professsores Universitários: a base dos professores universitários quer mesmo é salário!

Convivendo como servidor público federal a pouco mais de dois anos, tenho que afirmar que o corporativismo que existe no fucionalismo federal e, principalmente, no funcionalismo que tem formação acima de mestrado e doutorado, é de espantar, de deixar qualquer um absurdado. Não é possível aceitar que num mundo em que mais de 2 bilhões de pessoas não tem acesso a água potável, e quase 2/3 da população mundial vive abaixo da pobreza (só pensar nos mais 50 milhões de pobres no Brasil), tenhamos que aceitar que doutores, mestres e poliglotas batam no peito dizendo que suas necessidades materiais devam ser mais valoradas e importantes que de qualquer outra pessoa deste país (planeta).

Não pode ser aceitável que uma pessoa que se diga mais “inteligente”, que ficou sentando numa escola por mais anos, que supostamente tem mais responsabilidade do que outros no seu trabalho, possam esbravejar aos quatro cantos do mundo que sua remuneração esta abaixo de 10 mil reais e isto não é possivel, mesmo pq, como estes distintos servidores vem afirmando nas suas greves: É IMPRESCINDÍVEL COMPARAR O SALÁRIO DOS DISTINTOS DOUTORES COM OS DE MOTORISTAS E GARÇONS DO SENADO, que ganham mais de 10 mil reais, e assim os autoriza a bradar ainda mais sobre a extrema necessidade de aumento salarial. Isso é um absurdo, isto é imoral!!! Então que façamos greve e mobilizações para que estes salários imorais de motoristas acabem. Isto sim é moralizar e não o contrário.

Se a questão é salarial, então vamos comparam vossos salários com o salário mínimo? com o salário de cozinheiros (lembrando que a grande maioria não sobreviveria 2 dias vivo sem um cozinheiro)? com a remuneração de 5 mil reais/ano de agricultores familiares brasileiros (quero ver alguém viver nas cidades sem alimento)? Mas para isto já temos resposta pronta: o que é um cozinheiro ou um agricultor perto de um DOUTOR.

Alguns professores ainda chegam a comparar seus salários com a remuneração de professores de universidades particulares, mas aí a solução é simples, vai dar aula nas particulares e ganhar mais lá. Larga o osso e vai pro mundo. ok!?

Acho extremamente válida e legitima a greve de servidores públicos, e principamente a dos professores universitários, mas que imoralidade é esta de reivindicar que suas necessidades materias são mais e melhores que de outros. Ganhar mais do que 10 salários mínimos já é uma garantia de que nossos salários não são o fim do mundo, pelo contrário, estamos na elite salarial brasileira.

Porém, contudo, todavia, é IMPORTANTE CHAMAR ATENÇÃO para o fato de que a greve dos professores universitários tem na sua pauta questões muito mais profundas e realmente mais legitimas para além dos salários. Mas como a MASSA da professorada quer mesmo é saber de grana no bolso, a pauta esta virando novamente dinheiro. E, assim, questões como a melhoria da infra estrutura, ampliação de recursos para pesquisa, mais contratações, um plano de carreira (eu disse plano de carreira e não salário, ok!!) que realmente valorize a profissão e que possa atrair bons quadros para a universidade, a expansão da universidade (não como o REUNI, mas uma expansão de qualidade), entre outros, sejam a prioridade na pauta de reivindicação dos professores.

No entanto, se o governo acenar com 15, 20 ou 30% de aumento no sálário e nada mais, tenho certeza de que a base dos professores e talvez, até sindicatos, irão festejar, comemorar, aplaudir o governo. Então fica a pergunta: É isto que significa uma greve comprometida com a melhoria da Educação pública brasileira?

Não quero aqui, de forma alguma deslegitimar o movimento grevista dos professores, mas chamar atenção para uma crítica que (ou se tem medo de fazer ou mesmo não há interesse em faze-la) deve ser feita a prioridade dada a pauta do aumento salarial, mesmo ganhando mais de 10 salários mínimos. Isto é Brasil!!!!

3 thoughts on “A Greve dos Professsores Universitários: a base dos professores universitários quer mesmo é salário!

  1. Sérgio Ruiz diz:

    André.

    É preciso observar que as universidades federais brasileiras são muito ruins. O nível dos professores é baixíssimos e os concursos são, frequentemene, fajutos. Você entra em um departamento de letras e os professores de inglês quase não falam a língua. É raro um professor de filosofia capaz de ler Platão, Spinoza ou Aristóteles. Departamentos de Engenharia Elétrica não conseguem construir um supercomputador. Os salários, entretanto, são compatíveis com os salários pagos em uma univesidade americana. No meu caso, em uma universidade americana (Utah State), meu salário líquido (after tax) era de 2500 dólares, o que era suficiente para viver em Logan. No Brasil, mesmo sem o aumento, o salário líquido é duas vezes isso.

    É preciso notar também que um professor minimamente competente pode aumentar seus salário em, pelo menos, 50% com consultoria. Por exemplo, um professor de engenharia, em uma reunião de 2 horas por semana, pode receber 2000 reais ou mais; e esses complementos não prejudicam pesquisa ou ensino. No caso de médicos, o ganho ainda é maior: raro é o professor médico que não duplique e até triplique o salário.

    Temos ainda os professores de ciências humanas. Em um país de analfabetos, esses senhores ganham muito dinheiro. Conheço vários professores de letras que, traduzindo manuais do chinês ou do japonês para português, receberam até 16 mil reais por manual. Na minha univesidade, praticamente todos os professores têm casa própria (nos departamentos de engenharia e medicina, casas luxuosas) e ganham pelo menos duas vezes mais do que ganhariam nos Estados Unidos.

    É importante notar também as vantagens não monetárias que um professor tem. Por exemplo, o professor pode dar educação refinada para os filhos (se quiser, é claro). No meu caso, com ajuda dos colegas, certifiquei que minha prole, quando ainda estavam no ensino fundamental e médio, aprendessem latim, grego antigo, música, artes marciais brasileiras, inglês, chinês, cálculo diferencial e integral, frequentassem o laboratório de química da universidade, etc. Como resultado, o vestibular — de medicina — foi um passeio.

    Outro ganho de um professor é assistência médica. Acometidos de alguma doença, podemos procurar um colega médico, que nos atenderá como se fôssemos amigos de longa data. Aliás, não são somente os médicos que atendem bem os colegas professores. Engenheiros instalam, para os colegas, as melhores smart TVs, computadores com paralelismo para “games”, ajudam escolher os microscópios para os filhos, etc.

    Um professor com, digamos, 15 artigos de alto impacto (mas não tão alto — acima de 3 é considerado de alto impacto no Brasil) tem oportunidade de estudar fora e fazer frequentes viagens com tudo pago. Uma vez que mostramos nosso diploma de uma universidade de prestígio, como Cornell ou Tsinghua, somos bem recebidos em qualquer país. Lembro-me que uma vez fui barrado em um aeroporto nos Estados Unidos. Quando o funcionário verificou que eu havia estudado em Cornell, o tratamento mudou e todos os problemas foram resolvidos rapidamente. A mesma coisa aconteceu em minha estadia na França (o governo francês deu-me até um apartamento para três pessoas).

    Diga-me, então, que outra atividade tem tantas vantagens como professor? É claro que o professor tem de ser competente, publicar muito (artigos de alto impact0), falar várias línguas sem sotaque, etc.

    Nós, professores, precisamos fazer como nos Estados Unidos, na França ou na China. Produzir muito, sem nos preocupar com salário ou com carreira. Um professor faz sua carreira; se publicou artigos na Nature ou na Science, se tem seus livros traduzidos para o chinês e para o russo, ele está no topo da carreira, ainda que seja apenas assistente, no papel.

    Outra coisa: Um salário de 3000 reais é considerado bom na atividade privada. Pois bem, tenho vários estudantes, no início de carreira, com apenas mestrado, que estão ganhando 4500 reais por mês, como professores. Um recém doutor ganha até 6000 reais líquidos. Eu estou ganhando 10500 reais líquidos. Ora, a situação não está para greve.

    • michelato diz:

      Sr. Sergio Ruiz, suas razões de privatização do serviço público são extremamente temerárias, sou absolutamente contrário a esta sua posição, professor quer ser consultor que vá trabalhar fora da universidade. Suas razões sobre o respeito e as beneces de ser professor, me assustam, acho que todos, todos, devam ter o mesmo tratamento. Em relação aos salários, fico ainda masi preocupado, no Brasil, um professor doutor inicia sua carreira como professor de universidade pública, na média, com mais de 40 anos de idade, enquanto isso, meus colegas de profissão com 40 anos estão no topo da carreira…Fico ainda mais assustado no que se refere seu conhecimento sobre a pauta desta greve…prefiro que vá acompanhar a pauta da greve, as questões prioritárias do plano de carreira, é uma vergonha um professor como o Sr. não estar acompanhando minimamente esse debate, mesmo não morando no brasil mas com posicionamentos firmes sobre a greve, então, não leia tanto jornal e vá ler materiais mais aprofundados sobre o que estamos debatendo com o governo, salário? não meu caro, salário é uma das questões, mas temos outras tantas q são mais importantes ainda que o salário…e para finalizar, me assusta vc dizer que só temos professores ruins no Brasil, realmente me assusta, acho q vc esta longe demais da nova realidade que as universidades estão passando no Brasil…e me desculpe a sinceridade, mas realmente sua visão esta absolutamente imersa no modelo norte americano de educação, vida, política, economia, bla bla bla….o que não concordo nem em número, nem em gênero, nem em grau….

  2. Sergius Ruiz diz:

    Prezado Michelato.
    A greve já passou e a discussão terminou com um razoável aumento de salário. Talvez o assunto esteja morto. Mas como só li sua resposta agora, vou comentá-la. Não pense que vou atacar sua resposta. Encontro nela muita coisa interessante e que endosso.

    Comecemos por minha pessoa. Não sou americanófilo. Gosto do modelo educacional americano, mas aqui termina minha admiração por aquele país. Prefiro o modelo chinês. Aqui está incluído o modelo de universidade e educacional. A universidade americana é boa, mas a chinesa é melhor. Na minha opinião, é claro. Não leio a imprensa brasileira e nenhuma outra. Raramente leio revistas e jornais. Sobre a greve, acompanhei as discussões em três universidades, uma no nordeste e duas outras em Minas. Uma das razões de ter acompanhado essas universidades de tão de perto é que meus filhos são estudantes em duas delas, e sou professor (voluntário) em outra. Professor voluntário é aquele que dispensa ou salário por uma razão ou outra. Por exemplo, um professor aposentado, um médico que não quer abandonar a clínica, ou que não quer dividir os direitos autorais de livros com as universidades, etc.

    Nas duas universidades em que acompanhei a discussão, a preocupação era o salário. Mas eu fiquei com a impressão de que o problema não era nem mesmo o salário. O problema era manter a greve para vários desses professores ajustarem suas empresas fora da universidade. Insisto aqui: Não tenho nada contra professor ter negócios fora da universidade.

    Examinei cuidadosamente os professores que participavam das reuniões em duas das universidades de que falei. Os professores de letras competentes tinham ganhos altíssimos traduzindo manual, escrevendo correspondência, etc. Um desses professores, de filosofia, conhece muito bem as línguas importantes na filosofia: Latim, Grego Antigo, Alemão, e Francês. E ganha muito dinheiro, mas não é traduzindo livros de filosofia. É escrevendo cartas para bancos, redigindo atas, escrevendo livros de RPG, e coisas assim. Novamente, não estou censurando o rapaz (é bastante jovem).

    Os professores de medicina, vários, recebem tanto dinheiro na universidade que nem pegam o salário. Alguns se inscrevem como voluntários. Outros distribuem os salários como bolsas. Perguntei a um deles: “Se você é voluntário, porque faz tanta questão em que o salário de um titular seja igual a de um juiz?” Era essa a proposta dele. Aplaudida em pé. Tenho imenso respeito por esses voluntários nas escolas de medicina (sou um deles, diga-se de passagem) e fiz a pergunta por curiosidade. Afinal, a pessoa dispensou o salário. Por que faz questão de que seja alto? Queria ouvir a resposta. Mas não ouvi. Ele não achou argumentos.

    Não vá pensar que esses médicos estavam preocupados com o salário dos professores não tão competentes quanto eles e que não tinham atividade fora da universidade. Isso não era verdade porque, na medicina, esses figurões (no bom sentido; são figurões porque são competentes e tiveram uma boa formação) ocupam todas as vagas.

    Agora pessoas sem muitos conhecimentos realmente recebem salário baixo. Mas não tão baixo quanto na iniciativa privada. Tomemos o caso de letras. No departamento há muito gente que sabe chinês, inglês, alemão, latim, grego e coisas assim. Mas há gente que não sabe nem a língua que estão ensinando/pesquisando. Conheço vários professores de português que não falam latim. Sabem o que ensinam? Latim. Experimente entrar em um departamento de inglês, falando inglês. Observe a qualidade do inglês dos professores. Vai ficar espantado. Vários não conseguem manter uma conversação em inglês. Essas pessoas vivem com salário de professor, pois não vendem livros, não traduzem scripts, não escrevem manuais, não dão palestras. Devemos nos preocupar com elas? Eu não sei o que dizer.

    Vou pegar o caso da engenharia. Nas universidades brasileiras que conheci melhor (fui professor na USP — duas vezes — e UNESP) há engenheiros que ganham fortuna. Na universidade federal em que estou agora, não há ninguém nos departamentos de engenharia elétrica, mecatrônica e mecância que não sejam, literalmente, muito ricos. O mais pobre do departamento de engenharia elétrica mantém quatro filhos em escolas de medicina particular, com mensalidade, mesada e apartamento. Depesas fixas: 30000 por mês. O mais rico é dono da Comprove. Mas acho que o dono da Algar passou por lá. Esse é bilhonário.

    Essas pessoas, que respeito muito, não estou atacando-as, estavam em todas as reuniões do comando de greve.

    Mas gostaria de saber sua opinião sobre dois casos. Há professores que não querem receber nada de empresas privadas. Só recebem do governo. Esses professores, quando são competentes, ganham bolsas. Há uma bolsa de produtividade do CNPq, mas há outras também. Há bolsas do governo francês, algumas vitalícias. Se não me engano, Silvio Ferraz de Melo Filho, professor de música, recebe bolsa da Fundação Pompidou. Há bolsas americanas, também, é claro, e são bem fáceis de receber. Existem até bolsas do governo chinês, bem fáceis de receber também. Vou dar um exemplo concreto de um professor assim, que não aceita nenhum financiamento de empresas privadas. Só aceita do governo. Claro que ele recebe polpudas bolsas e vive muito bem. Nome: Antonio Eduardo da Hora Machado. Visite o currículo Lattes desse personagem. Por exemplo, ele é pesquisador 1D do CNPq. E tem outros ganhos. Isso significa que podemos sim, ganhar dinheiro sem a iniciativa privada para manter a universidade pública.

    No departamento de letras de uma das universidades de que falei (você notou que evito colocar os nomes das universidades federais para não ofender susceptibilidades), há várias pessoas que recebem um bom dinheiro com livros que publicam. Pense bem. Admitamos um professor que publique um livro técnico ou acadêmico. Imagino que a maioria dos professores publicam livros e artigos. Sou amigo de um, Luiz Roberto Dante, professor da UNESP, cujos livros didáticos vendem milhões. Claro que ele é rico. Mas estou falando daquele professor cujos livros, como o meu, vendem 250000 cópias no mundo todo, em um ano, no máximo. Não é muito. 100000 cópias em inglês, 50000 cópias em russo, e 100000 cópias em chinês. Vamos imaginar que esse professor ganhe 20 centavos por cópia. Na realidade ganha muito mais. A Amazon chega a pagar 75% do preço de capa. Mas os chineses pagam bem menos. Esse professor, com direitos autorais tão baixos, e um livro que não podemos chamar de sucesso editorial, já está com mais de 40000 dólares por ano. Note que ele não atrapalhou suas pesquisas, nem suas aulas. Afinal, a função dele é dar aulas. E escrever livros. Você concorda que esse professor, mesmo nos critérios mais estrictos, não está desvirtuando a função da universidade?

    Um professor é, com frequência, chamado para dar palestras. Quase imploram por essas palestras. Ora, uma palestra é uma aula. Principalmente se a palestra é dada em uma universidade. Ou no TED Talks. Ou em qualquer outro lugar. Concorda? Pela palestra, o professor deve receber, digamos, 10000 dólares?

    Mas estou pensando naqueles professores que não tem competência para produzir tanto quanto o professor Antonio Eduardo da Hora Machado, ou Luiz Dante. Esses professores não podem escrever livros, até porque não dominam os idiomas da ciência, inglês, chinês, francês, russo e alemão, suficientemente bem. Mas será que o lugar deles é na universidade? Não estou afirmando que não seja. Só quero ouvir sua resposta. Estou falando daqueles muitos professores de inglês, e são muitos, que não conseguem manter uma conversação em inglês. Ou daqueles professores de português não conseguem ler Vergilius no original. Ou do professor de engenharia elétrica que não consegue montar um computador em FPGA. Ou do professor de geografia que é incapaz de corrigir uma imagem de satélite para eliminar o efeito da atmosfera. Ou do professor de medicina que não consegue fazer uma análise de DNA, ou determinar o mecanismo de síntese de uma proteína.

    Esses professores, malformados (talvez por culpa do governo), realmente precisam de aumento de salário. Mas repito a pergunta: Deveriam estar na universidade?

    Quero notar também que um de meus amigos trabalha em uma universidade em que o reitor contratou, em massa, engenheiros e músicos ucranianos (competentíssimos), médicos cubanos (também competentes), matemáticos chineses e vietnamitas, etc. Isso seria uma solução? Note que não podemos acusar o reitor e o governador de privativista. Todo mundo veio de países socialistas e todos os contratatos são socialistas convictos. E todos estão felizes com o salário. Não examinei o caso de perto. Apenas ouvi meu amigo, revoltado, contar essa história. Mas pergunto: Isso seria uma solução para os professores mal formados?

    A propósito, meritocracia na universidade não é monopólio americano. Na China, a coisa é até mais radical. Os presidentes da China saem de uma universidade de elite, Tsinghua. A classificação das universidades do mundo é feita na China, na Jiaotong.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s