Das mobilizações anti-neoliberais a esperança de 6 de junho

Nós não tínhamos internet. Não tínhamos redes sociais. O que tínhamos eram DCEs e Centros Acadêmicos, sindicatos e movimentos sociais. Saíamos as ruas, fechávamos avenidas, ruas e parávamos o trânsito contra a onda neoliberal que atacava a realidade da década de 90 e a polícia nem aparecia para dar um “oi”.

Mas também tínhamos um inimigo que estava sendo construído, burilado, a mais de 30 anos. Era a face mais conservadora e antidemocrática brasileira, o pessoal da antiga ARENA. Que transfiguravam-se em PSDB, PFL, PTB, PMDB, entre outros. Do outro lado, tínhamos os sonhadores, que nos estimulavam, que nos davam base e sustentação, que traziam a esperança de um país diferente, era o pessoal do PT. Deputados, vereadores, lideranças, enfim. Era uma época de busca por uma verdadeira democracia, onde todos os partidos poderiam governar. Era outra realidade, outros caminhos. Do MST aos mais conservadores da esquerda brasileira, todos iam para as ruas em tempos de eleição para entoar a mística Lula-la-la.

A nossa luta era muito mais cômoda e simplificada, pois nossas pautas já vinham sendo construídas e organizadas por mais de três ou quatro gerações de jovens. Diferentemente da geração “tempos de Lula Presidente”, que viveram sem saber o que era inflação, crise financeira, desemprego na casa dos 30%, alta dos preços, mercado comum com os EUA, privatizações de tudo e todos, ausência de saúde pública, previdência social, educação pública e não precariedade destes serviços.

Os tempos mudaram. O PT, o partido da esperança socialista, se transformou  e transformou o Brasil. Fez avanços, reverteu processos como as privatizações, reverteu o coronelismo de bancada, mas também se transformou em algo que não imaginávamos que seria possível. Ingenuidade? não sei, para quem viveu aqueles tempos, acredita que não. Mas por outro lado, o PT se transformou num partido conservador, ligados as forças mais conservadoras, tudo para manter e intensificar um poder hegemônico. Perdeu sua articulação com os movimentos sociais, se tecnocratizaram.

Mas a partir de 06 de junho de 2013, ocorreu um acaso, e na leitura dos governo, uma falha no sistema. Depois de algumas dezenas ou centenas de passeatas contra o aumento das tarifas de transporte coletivo no Brasil, ocorreu o inesperado. Algo que nem mesmo os mais crédulos poderiam prever. O que era para ser apenas atos públicos contra o aumento de 0,20 centavos da tarifa de transporte público, passou a ser a cunha para a construção de novas pautas, da esperança de que a rua é o espaço de luta, de que a juventude tem força e vez, de que a desesperança e o desencanto pela política, pelo poder e pelo Estado poderá ser reconstruída (ressignificada) em algo. Que algo? ainda não sabemos. E que bom que não podemos saber, incertezas sempre nos produzem intensamente.

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