Aos Professores: potências racionalizantes do mundo moderno!!

Ontem foi o dia dos professores. Centenas de milhares de pessoas postaram e twitaram parabenizando seus professores/as. Lembraram do passado e revigoraram o presente, elogiando e cobrando dos professores uma postura de promover a formação das pessoas.

Alguns, ditos mais radicais, fazem suas críticas a postura disciplinadora dos educadores e institucionalizadora do ambiente escolar. Outros ainda, disseram que educadores são a mão invisível do mercado, do capital, que dociliza os corpos para potencializar o controle do capital sobre as mentes.

Mas tivemos aqueles que lembraram de Paulo Freire, o grande, o maior dos maiores mestres da educação moderna, que nos coloca como potencias libertadoras, revolucionárias diante de uma sociedade repressora e excludente.

Bom, até aqui, a única coisa que podemos concordar é que o espaço da educação é de conflito, de disputa, um espaço que deve ser democrático ao extremo, para possibilitar o amplo e irrestrito debate sobre esta dimensão da vida.

Até aqui, acredito que esteja falando, dizendo, escrevendo o que é consenso. Mas vou além. A educação, seja ela a capitalista, a libertadora, a disciplinadora, seja qual for, ela tem um único objetivo, que para além das disputas, é algo transversal e presente em todas as abordagens: o seu caráter racionalizador, de educar para desmestificar o mundo mágico da não ciência, desmestificar a própria disciplina, o capitalismo, a democracia. Ou seja, a educação tem como potência a ideia fundante da ciência moderna (e mais primariamente a Filosofia): a crítica, a dúvida, o método científico, a concretude da realidade. Enfim, seja para onde for, a educação esta ai para nos tirarmos da magia, para nos racionalizarmos, nos quantificarmos, nos qualificarmos a partir da ciência quantificavel e limitadora ao mesmo tempo revolucinária e libertária, mas ainda racionalizadora.

Se isso é bom? Essa é a questão: para muitos sim, para outros nem tanto….posso afirmar que já foi bem pior e bem melhor…hoje nos encontramos numa crise….parte não quer…parte quer muito….

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25% de concursos para docentes em federais de SP não têm aprovados

Matéria publicada na Folha de São Paulo

A estabilidade do emprego e a remuneração para fazer pesquisa não têm sido suficientes para seduzir professores para as universidades federais em São Paulo.

Levantamento feito pela Folha com base nos concursos para docentes em 2011 e neste ano mostra que 1 em cada 4 processos foram finalizados sem nenhum aprovado.

Esses 59 concursos terminaram “vazios” por duas razões: ou não houve inscritos ou os candidatos não atingiram o patamar exigido em quesitos como prova escrita, análise de currículo e simulação de aula.

Faltaram aprovados para seleções de diversas áreas, como psicologia, engenharia, saúde, ensino e economia.

Como comparação, a reportagem contabilizou na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) 1% de concursos “vazios” no período.

Os docentes da rede federal afirmam que a falta de atratividade é reflexo dos baixos salários e de uma carreira ruim.

A categoria está em greve nacional há um mês e meio, com adesão de 95% das escolas, segundo a organização. O governo não tem balanço.

O salário inicial para um professor com doutorado, em dedicação exclusiva, é de R$ 7.627 na rede federal.

Na USP, Unesp e Unicamp (todas estaduais), um docente em posto similar ganha R$ 1.100 a mais, além de ter dispositivos que aceleram os aumentos (como quinquênios).

Reitores das federais reconhecem que as condições a seus professores não são as ideais, mas dizem que os cursos ficam “vazios” devido à escassez de doutores no país. O Ministério da Educação faz avaliação semelhante.

A rede federal precisa contratar porque está em forte expansão no Estado. As matrículas praticamente dobraram entre 2007 e 2010.

TURMAS A MENOS

A instituição com mais dificuldades para atrair professores é a UFABC (Federal do ABC): em 35% dos concursos não houve aprovados.

Representante dos estudantes da UFABC, Josiane de Oliveira diz que a ausência de docentes faz com que não haja vaga para todos os alunos em algumas matérias.

A situação, afirma, pode atrasar a formatura dos estudantes, que precisam esperar os próximos períodos até aparecerem postos livres.

“Com esse salário e carreira, quem quer ser professor em federal?”, diz a presidente do sindicato docente da Unifesp (Federal de São Paulo), Virgínia Junqueira. Segundo ela, no campus de São José dos Campos, como falta professor, uma disciplina que seria dada em três turmas de 40 alunos é dada em uma turma com 120. A reitoria diz que desconhece essa situação.

Estamos cada vez mais próximos de uma Greve histórica durante um governo do PT: das Universidades Federais

Depois de 9 anos de uma relação de muita parceria e cordialidade, entre os professores univesitários das Univ. Federais e o Governo do Partido dos Trabalhadores, aponta-se uma greve para o dia 17 de maio de 2012.

Será uma data marcante, pois o PT sempre teve forte expressão dentro das Universidades Federais, tanto foi que o governo Lula fez os reajustes necessários e “melhorou” o ambiente das universidades públicas federais, logo a partir do início do seu governo.

No entanto, estamos vivenciando um governo Dilma, que é marcado cada vez mais pela intransigência nas negociações, contenção de gastos e assume para si a responsabilidade de efetivar as mudanças que acredita serem válidas e necessárias. Este receituário é bastante perigoso e inflamável.

Pois bem, mesmo depois de quase 2 anos de negociações, o ANDES (Sindicado Nacional dos Professores Univ.), passaram para um segundo estágio, o do enfrentamento e de braços cruzados – GREVE. Mas não será a toa, pois além dos 4% de reajuste, eu disse, reajuste e não aumento real de salário, que não foram efetivados (em março de 2012) após a negociação acordada e assinada em agosto de 2011, ainda temos a intolerância do governo para avançar na negocição de um novo Plano de Carreira (que envolve também as IFES).

Assim, sendo, o que tudo indica, no dia de hoje, é forte tendência a uma greve nacional das universidades federais, e que será uma greve não muito curta.  Mas a esperança é a ultima que morre, e assim sendo, espera-se que o Governo tenha bom senso e passe a negociar, e não apenas marcar reunião atrás de reunião para agendar uma nova reunião, detalhe, segundo as lideranças sindicais, regadas a um bom papo.

Segue o texto do site do ANDES sobre a reunião de ontem, entre o sindicatos e o MEC/MP.

http://www.andes.org.br:8080/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=5301

 

Paulo Freire é declarado o patrono da educação brasileira

Portal do MEC – Segunda-feira, 16 de abril de 2012 – 17:36

O educador e filósofo pernambucano Paulo Freire (1921-1997) passa a ser reconhecido como patrono da educação brasileira. É o que estabelece a Lei nº 12.612, do dia 13 último. Freire dedicou grande parte de sua vida à alfabetização e à educação da população pobre.

Oriundo de uma família de classe média, Freire conviveu com a pobreza e a fome na infância, durante a depressão de 1929. A experiência o ajudou a pensar nos pobres e o levou, mais tarde, a elaborar seu revolucionário método de ensino. Em 1943, chegou à Faculdade de Direito da Universidade de Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Durante o curso, teve contato com conteúdos de filosofia da educação. Ao optar por lecionar língua portuguesa, deixou de lado a profissão de advogado. Em 1946, assumiu a direção do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de Pernambuco, onde passou a trabalhar com pobres analfabetos.

Em 1961, como diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade de Recife, montou uma equipe para alfabetizar 300 cortadores de cana em 45 dias. As experiências bem-sucedidas com alfabetização foram reconhecidas em 1964 pelo governo de João Goulart, que aprovou a multiplicação das experiências no Plano Nacional de Alfabetização. No entanto, poucos meses após a implantação, o plano foi vetado pelos militares, que assumiram o governo. Freire foi preso e expulso do país. Em 16 anos de exílio, passou por Chile, Suíça, Estados Unidos e Inglaterra e difundiu sua metodologia de ensino em países africanos de colonização portuguesa, como Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Em sua obra mais conhecida, A Pedagogia do Oprimido, o educador propõe um novo modelo de ensino, com uma dinâmica menos vertical entre professores e alunos e a sociedade na qual se inserem. O livro foi traduzido em mais de 40 idiomas.

Visão — Para a diretora de currículos e educação integral do Ministério da Educação, Jaqueline Moll, o Brasil presta uma homenagem a Paulo Freire por sua obra pela educação brasileira. “Paulo Freire é a figura de maior destaque na educação brasileira contemporânea, pelo olhar novo que ele constrói sobre o processo educativo”, afirma. “Ele tem ajudado muitos países no mundo a repensar a visão vertical que temos nas salas de aula, de um professor que sabe tudo e do estudante que é uma tábula rasa e nada sabe.”

“Uma homenagem mais que justa”, comemora Leocádia Inês Schoeffen, secretária municipal de Educação de São Leopoldo (RS), cidade a 50 km de Porto Alegre. Todas as 35 escolas públicas do município já aderiram ao Programa Mais Educação, que amplia a jornada diária para o mínimo de sete horas. “O Mais Educação, do ponto de vista da educação popular, não é restrito ao ambiente escolar, mas articula-se com a comunidade. Assim, há afinidade grande desse programa com o que o Paulo Freire defendia, que é fazer a leitura do mundo e a inserção do educando no seu meio, capacitando-o para que seja agente do seu momento histórico”, diz.

Reconhecido internacionalmente, Paulo Freire recebeu inúmeros títulos e importantes premiações. No portal Domínio Público, do MEC, pode-se baixar gratuitamente o livro Paulo Freire, de Celso de Rui Beisiegel, uma coletânea de análises de seus textos mais importantes.

A Lei nº 12.612, de 13 de abril de 2012 foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 16, Seção 1 página 1.

Diego Rocha – Portal do MEC