Do Governo Lula-Dilma para as Mobilizações Populares no Brasil

Por André Michelato Ghizelini

Quase um mês após a mobilização que deu inicio a série de manifestações pelo Brasil, algumas análises sobre este fenômeno vem sendo realizadas, para tanto uma das questões mais instigantes e que permeiam a quase totalidade dos debates atualmente, são as razões do por que as mobilizações tem se caracterizado pelas pautas difusas e pela presença dos “ultras” direita ao lado dos “ultras” esquerda.

Faixas lado a lado com conteúdos absolutamente contraditórios, como: a favor da redução da maioridade penal; contra o aborto; a favor da diversidade sexual; fora Dilma; a favor da pena de morte; extinção das polícias militares; e palmas aos militares. Foi isto que foi visto nas ruas das cidades nos grandes atos que foram realizados. E foi estes comportamentos, que muitas vezes interpretado como algo criado individualmente pelas pessoas, é que passou e se tornou uma das questões mais importantes para se entender e analisar.

No entanto, para analisar tal fenômeno, não há como estabelecer uma lógica que busque compreender apenas a partir do comportamento dos indivíduos, suas angústias, ansiedades, revoltas, insatisfações, indagações , de cunho meramente individual. Para além das sensações pessoais (que obviamente existem, não estou negando este fato), existem as condições sociais e políticas que permitem e “autorizam” que posições absolutamente contraditórias possam estar lado a lado num ambiente público de manifestação, e ainda mais, de ação coletiva, em que, teoricamente, estão lutando pelos mesmos objetivos.

Estas condições socais e políticas são “dadas” pela ambiência, que para além das relações da sociedade civil e pelos movimentos sociais, há sim a ambiência política-institucional, dada principalmente pelo Governo, e no caso brasileiro, em função do pacto federativo em vigor, pelo Governo Federal, que materializa-se nas conjugações de forças e relações políticas dadas internamente no Governo.

Um Governo que caracteriza-se por uma imensa coalizão de forças (desde 2003), que vai das forças mais conservadoras, como evangélicos (tanto progressistas e conservadores) e políticos do ex-PFL, encarnados agora no PSD, passando pelas lideranças do PMDB, mas também com forças da dita esquerda construída historicamente no Brasil, como o próprio PT e PCdoB (mesmo com críticas, o PT nasce e consolida-se como um campo da esquerda, mas que sofre alterações em função do projeto de poder). No entanto, para além das relações político institucionais, este Governo se sustenta em grande medida em função dos apoios de movimentos sociais de grande envergadura, como o MST e a Via Campesina, que já na campanha da então candidata Dilma Roussef, fez coro e voz de apoio para sua vitória.

Assim, mais do que caracterizar os Governos Lula-Dilma como conservadores ou progressistas, foi e é um governo que imprimi uma ambiência de constante DISPUTA, disputa esta que estabelece como princípio um jogo de relações que permite ora satisfazer as pautas dos conservadores, ora satisfazer as demandas dos setores progressistas e do campo da esquerda.

No entanto, os setores mais a esquerda da esquerda, não corroboram com esta avaliação, pois partem do pressuposto que o PT já faz parte da direita e não os representa, assim sendo não há como dizer, segundo eles, que há disputa. Mas como fundamentar tal posicionamento, considerando que MST e outros movimentos que fazem parte da Via Campesina, em muitos momentos dão apoio e sustentação para o Governo do PT, assim como outros movimentos sociais, seja os movimentos de mulheres, da diversidade sexual, como também a grande maioria do movimento sindical, corroboram e se articulam intensamente na sustentação deste Governo.

No entanto, este processo tem demonstrado certo desgaste  e esgarçamento para a sua manutenção, seja pelas mobilizações que vem acontecendo no Brasil, de forma mais intensa e permanente nos últimos 3 ou 4 anos, realizadas principalmente por indígenas, pelos afetados pela hidrelétrica de Belo Monte, em função das obras da copa do mundo, pelo Passe Livre, pelo direito a terra pelos quilombolas, pelos direitos das mulheres, pelo direito a diversidade sexual, entre outras.

Mas então por que as atuais mobilizações tem essa “cara” e esse formato tão múltiplo e difuso?

Não acredito na tese de que a sociedade seria correia de transmissão das ações do Estado, no entanto no caso destas mobilizações populares, tal fundamento nos ajuda muito a entende-las.

Primeiramente gostaria de fazer uma relação não muito usual, mas lembrar dos tempos do governo FHC, no qual as mobilizações tinham cor, formato, alma, espírito e linguagem própria, ou seja, sabiam a que  vinham, sabiam qual era o inimigo e os aliados. Diante de um governo com digital e ideias bem solidificadas as mobilizações respondiam contrariamente de forma clara e precisa.

No entanto, neste momento, as mobilizações caracterizam-se por uma ambiência difusa, onde o consenso deixa espaço para o dissenso e para um clima de disputa, onde diversas forças sociais se apresentam como proponentes das soluções e das reivindicações verdadeiras e corretas para “concertar” o país. Sejam de direta ou de esquerda, estão lá, posicionadas nas passeatas e atos públicos, afirmando e reafirmando posicionamentos muitas vezes isolados e recortados de uma realidade social não tão recortada assim.

Como afirmei anteriormente, seria ingenuidade que mobilizações como estas pudessem ser explicadas apenas pelos fatores de que não há organização, não existem lideranças legitimadas, não existe movimentos sociais organizados na preparação e condução das ações, e por este motivo, pessoas individualmente com suas angustias e ansiedades vão para as ruas e se colocam da forma como bem entendem. Isto é uma explicação extremamente ingênua, pois para além do comportamento individual, é necessário que o espaço social e político, seja o ambiente da rua, mas também das animosidades e da legitimidade coletiva é que garantirá que os indivíduos possam participar ou não das mobilizações. No entanto, defendo a ideia de que esta ambiência das ruas só tem sido possível, pois estamos diante de um sistema político institucional que se coloca num ambiente de ampla coalizão de forças políticas, mas principalmente, se coloca como um sistema permanentemente em disputa, em conflito, assim como vem se dando as mobilizações Brasil a fora.

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Carta do MPL à Presidente Dilma Rousseff – 24 de junho de 2013

MPL

Carta publicada pelo MPL antecedendo à reunião com a presidente Dilma. Reunião esta que ocorrerá hoje. Uma carta que traz uma visão de mundo, de sociedade e que sabe onde quer chegar…mais do que mobilizações, é isso que nos leva para algum lugar!!!

À Presidenta Dilma Rousseff,

Ficamos surpresos com o convite para esta reunião. Imaginamos que também esteja surpresa com o que vem acontecendo no país nas últimas semanas. Esse gesto de diálogo que parte do governo federal destoa do tratamento aos movimentos sociais que tem marcado a política desta gestão. Parece que as revoltas que se espalham pelas cidades do Brasil desde o dia seis de junho tem quebrado velhas catracas e aberto novos caminhos.

O Movimento Passe Livre, desde o começo, foi parte desse processo. Somos um movimento social autônomo, horizontal e apartidário, que jamais pretendeu representar o conjunto de manifestantes que tomou as ruas do país. Nossa palavra é mais uma dentre aquelas gritadas nas ruas, erguidas em cartazes, pixadas nos muros. Em São Paulo, convocamos as manifestações com uma reivindicação clara e concreta: revogar o aumento. Se antes isso parecia impossível, provamos que não era e avançamos na luta por aquela que é e sempre foi a nossa bandeira, um transporte verdadeiramente público. É nesse sentido que viemos até Brasília.

O transporte só pode ser público de verdade se for acessível a todas e todos, ou seja, entendido como um direito universal. A injustiça da tarifa fica mais evidente a cada aumento, a cada vez que mais gente deixa de ter dinheiro para pagar a passagem. Questionar os aumentos é questionar a própria lógica da política tarifária, que submete o transporte ao lucro dos empresários, e não às necessidades da população. Pagar pela circulação na cidade significa tratar a mobilidade não como direito, mas como mercadoria. Isso coloca todos os outros direitos em xeque: ir até a escola, até o hospital, até o parque passa a ter um preço que nem todos podem pagar. O transporte fica limitado ao ir e vir do trabalho, fechando as portas da cidade para seus moradores. É para abri-las que defendemos a tarifa zero.

Nesse sentido gostaríamos de conhecer o posicionamento da presidenta sobre a tarifa zero no transporte público e sobre a PEC 90/11, que inclui o transporte no rol dos direitos sociais do artigo 6o da Constituição Federal. É por entender que o transporte deveria ser tratado como um direito social, amplo e irrestrito, que acreditamos ser necessário ir além de qualquer política limitada a um determinado segmento da sociedade, como os estudantes, no caso do passe livre estudantil. Defendemos o passe livre para todas e todos!

Embora priorizar o transporte coletivo esteja no discurso de todos os governos, na prática o Brasil investe onze vezes mais no transporte individual, por meio de obras viárias e políticas de crédito para o consumo de carros (IPEA, 2011). O dinheiro público deve ser investido em transporte público! Gostaríamos de saber por que a presidenta vetou o inciso V do 16º artigo da Política Nacional de Mobilidade Urbana (lei nº 12.587/12) que responsabilizava a União por dar apoio financeiro aos municípios que adotassem políticas de priorização do transporte público. Como deixa claro seu artigo 9º, esta lei prioriza um modelo de gestão privada baseado na tarifa, adotando o ponto de vista das empresas e não o dos usuários. O governo federal precisa tomar a frente no processo de construção de um transporte público de verdade. A municipalização da CIDE, e sua destinação integral e exclusiva ao transporte público, representaria um passo nesse caminho em direção à tarifa zero.

A desoneração de impostos, medida historicamente defendida pelas empresas de transporte, vai no sentido oposto. Abrir mão de tributos significa perder o poder sobre o dinheiro público, liberando verbas às cegas para as máfias dos transportes, sem qualquer transparência e controle. Para atender as demandas populares pelo transporte, é necessário construir instrumentos que coloquem no centro da decisão quem realmente deve ter suas necessidades atendidas: os usuários e trabalhadores do sistema.

Essa reunião com a presidenta foi arrancada pela força das ruas, que avançou sobre bombas, balas e prisões. Os movimentos sociais no Brasil sempre sofreram com a repressão e a criminalização. Até agora, 2013 não foi diferente: no Mato Grosso do Sul, vem ocorrendo um massacre de indígenas e a Força Nacional assassinou, no mês passado, uma liderança Terena durante uma reintegração de posse; no Distrito Federal, cinco militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) foram presos há poucas semanas em meio às mobilizações contra os impactos da Copa do Mundo da FIFA. A resposta da polícia aos protestos iniciados em junho não destoa do conjunto: bombas de gás foram jogadas dentro de hospitais e faculdades; manifestantes foram perseguidos e espancados pela Polícia Militar; outros foram baleados; centenas de pessoas foram presas arbitrariamente; algumas estão sendo acusadas de formação de quadrilha e incitação ao crime; um homem perdeu a visão; uma garota foi violentada sexualmente por policiais; uma mulher morreu asfixiada pelo gás lacrimogêneo. A verdadeira violência que assistimos neste junho veio do Estado – em todas as suas esferas.

A desmilitarização da polícia, defendida até pela ONU, e uma política nacional de regulamentação do armamento menos letal, proibido em diversos países e condenado por organismos internacionais, são urgentes. Ao oferecer a Força Nacional de Segurança para conter as manifestações, o Ministro da Justiça mostrou que o governo federal insiste em tratar os movimentos sociais como assunto de polícia. As notícias sobre o monitoramento de militantes feito pela Polícia Federal e pela ABIN vão na mesma direção: criminalização da luta popular.

Esperamos que essa reunião marque uma mudança de postura do governo federal que se estenda às outras lutas sociais: aos povos indígenas, que, a exemplo dos Kaiowá-Guarani e dos Munduruku, tem sofrido diversos ataques por parte de latifundiários e do poder público; às comunidades atingidas por remoções; aos sem-teto; aos sem-terra e às mães que tiveram os filhos assassinados pela polícia nas periferias. Que a mesma postura se estenda também a todas as cidades que lutam contra o aumento de tarifas e por outro modelo de transporte: São José dos Campos, Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Goiânia, entre muitas outras.

Mais do que sentar à mesa e conversar, o que importa é atender às demandas claras que já estão colocadas pelos movimentos sociais de todo o país. Contra todos os aumentos do transporte público, contra a tarifa, continuaremos nas ruas! Tarifa zero já!

Toda força aos que lutam por uma vida sem catracas!

Movimento Passe Livre São Paulo
24 de junho de 2013

Gerente Geral de Toxicologia da ANVISA pede demissão após denunciar farra na liberação de agrotóxicos

Confira a integra da carta de Luís Cláudio:

“Comunico que, no dia 14 de novembro de 2012, deixei o cargo de Gerente Geral de Toxicologia da ANVISA, após ter trabalhado por 12 anos e 9 meses na agência, cedido pela Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ, para onde retorno.

Durante estes anos, tive a oportunidade de interagir com muitos colegas e amigos, que muito me ensinaram. Levo da ANVISA riquíssima bagagem sobre a importância da prevenção e controle que a Vigilância Sanitária desenvolve para produzir saúde e bem-estar para a população.

Agradeço sinceramente a todos que colaboraram com a minha gestão e, ao final deste texto, segue meu novo endereço profissional na FIOCRUZ, Rio de Janeiro, onde estarei à disposição para o desenvolvimento de trabalhos de interesse público na área da saúde.

Em seguida apresento informações sobre a minha saída da ANVISA e destaco algumas questões preocupantes sobre o contexto atual, que poderão afetar a atuação do setor Saúde no controle de agrotóxicos do Brasil.

Sobre os fatos

No início do mês de agosto, identificamos irregularidades na concessão dos Informes de Avaliação Toxicológica de produtos formulados, que autorizam o Ministério da Agricultura a registrar os agrotóxicos no país. Frente aos primeiros fatos, solicitei aos gerentes que levantassem as informações para a imediata adoção de providências. Os levantamentos foram realizados e contaram com a colaboração dos responsáveis pela Gerência de Análise Toxicológica – GEATO e da Gerência de Normatização e Avaliação – GENAV. A Gerência de Avaliação do Risco – GAVRI não colaborou com qualquer informação.

As graves irregularidades envolveram o deferimento de produtos sem a necessária avaliação toxicológica, falsificação de minha assinatura e desaparecimento de processos em situação irregular.

Primeiramente identificamos irregularidade em um produto, posteriormente em mais cinco, e recentemente em mais um, com problemas de mesma natureza. Para cada um deles foi instruído um dossiê com a identificação da irregularidade e a anexação de todas as provas que mostram que o Informe de Avaliação Toxicológica foi submetido para liberação sem a devida análise toxicológica.

Por ocasião da primeira irregularidade observada, comuniquei de imediato os fatos ao Chefe da Coordenação de Segurança Institucional – CSEGI, que também é Diretor-adjunto do Diretor-Presidente, e ao Diretor da Diretoria de Monitoramento – DIMON. Informei a ambos que estava enviando os processos à CSEGI para adoção de providências e cancelando os documentos de deferimento. Não recebi qualquer orientação adicional ao que propus.

Em seguida, solicitei ao Diretor-presidente o afastamento do Gerente da GAVRI, pois os problemas estavam relacionados às atividades de sua Gerência, assinalando que houve rompimento da relação de confiança exigida para o cargo.

Todos os procedimentos e medidas foram previamente apresentados às instâncias superiores da ANVISA, na busca de auxílio e orientação. As medidas que me cabiam, enquanto gestor da área, foram adotadas para garantir a segurança dos servidores, dos documentos e dos sistemas acessados pelos técnicos da GGTOX, bem como a imprescindível visibilidade institucional.

Sobre as medidas adotadas

Para todos os produtos que apresentaram suspeita de irregularidade na avaliação toxicológica, emiti ofícios às empresas, suspendendo o Informe de Avaliação Toxicológica concedido pela GGTOX/ANVISA, bem como determinando, em alguns casos, que se abstivessem de comercializar o produto até que as irregularidades fossem apuradas e sanadas. Também encaminhei os ofícios ao Ministério da Agricultura, com cópia para o IBAMA, notificando as decisões e solicitando as medidas adequadas. Solicitei à Gerência Geral de Tecnologia da Informação-GGTIN, cópia do backup de todos os documentos da pasta da GGTOX que ficam no servidor da ANVISA. A cópia está disponível na GGTIN e para o Gerente Geral de Toxicologia, no modo leitura.

Encaminhei à CSEGI o relato de todas as medidas adotadas, a descrição detalhada dos fatos e os documentos juntados, para a adoção das providências cabíveis. Informei ainda, em todos os memorandos, que seguíamos na busca de outras possíveis irregularidades, o que poderia resultar no envio de novos processos àquela Coordenação.

Por último, comuniquei os fatos e providências ao conjunto dos servidores, e discutimos a natureza grave do problema. Enfatizei, ainda, a importância de garantir o prestígio da GGTOX-ANVISA e de quem nela trabalha, afastando as estratégias destrutivas que buscam desqualificar a ação reguladora das instituições públicas em episódios com este.

Sobre a exoneração

As razões para a exoneração me foram transmitidas pelo Diretor-Presidente da ANVISA. Após elogiar o trabalho, a lisura e o reconhecimento externo que conferi à GGTOX, ele me informou que, na sua visão, o encaminhamento das irregularidades foi confuso e inadequado, e que faltou diálogo prévio, o que gerou dificuldades na relação de confiança entre minha pessoa e a Diretoria. Afirmou, ainda, que o processo de afastamento do gerente da GAVRI não fora apropriado, e que a indagação do Ministério Público sobre esse fato, que antecedeu às investigações internas, não deveria ter ocorrido.

Em resposta, discordei dos argumentos apresentados, pois, como dito por ele, não havia críticas à minha gestão, e a solicitação de investigação das irregularidades era de minha obrigação enquanto gestor e servidor público. Também destaquei que respeitei a hierarquia e os encaminhamentos formais. Disse ainda que sempre estive à disposição da Diretoria para informá-la dos fatos, e busquei diálogo e orientação junto à CSEGI e à DIMON. Lembrei que, durante o episódio, as gerentes da GEATO e da GENAV não foram chamadas sequer uma vez para informar ou confrontar alguma afirmação que por ventura não tivesse sido clara o suficiente para suscitar uma rápida tomada de providências.

Também esclareci ao Diretor-Presidente que as manifestações externas sobre a minha exoneração não deveriam ser interpretadas como pressão para me manter nesse cargo, pois eu tampouco desejava continuar a trabalhar sob sua direção. No entanto, zelaria para que a apuração das irregularidades fosse levada até a última instância.

Sobre o futuro

Frente ao exposto, considero importante compreender que o episódio das irregularidades deve ser tratado com a firmeza necessária, sem que isto venha denegrir a qualidade do trabalho realizado pela Gerência de Toxicologia ou ocultar a tentativa de desregulamentação do controle dos agrotóxicos no Brasil.

Nesse contexto, destaco alguns fatos que vêm ocorrendo e cujo objetivo é o de retirar competências da Saúde ou “flexibilizar” sua atuação. Eles têm sido debatidos e repudiados pela Gerência, pelo retrocesso que representam para a sociedade:

– O Projeto de Lei – PL n˚ 6299/2002, ao qual foram apensados outros PLs (PL 3125/2000, PL 5852/2001, PL 5884/2005, PL 6189/2005, PL 2495/2000, PL 1567/2011; PL 4166/2012; PL 1779/2011, PL 3063/2011 e PL 1567/2011), que estão tramitando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, e que retiram competências da ANVISA e do IBAMA nas avaliações de agrotóxicos. – A criação de uma “Agência nacional de Agroquímicos”, veiculada pela mídia, e cujo conteúdo informa que um dos fatores impeditivos da implementação da nova Agência seria a “resistência dos técnicos da ANVISA”(sic). – As tentativas de desqualificação da Consulta Pública 02, de 2011, oriunda da revisão da Portaria 03, de 1992, e que estabelece critérios cientificamente atualizados para a avaliação e classificação toxicológica de agrotóxicos. Durante o período da consulta pública, o setor regulado chegou a propor que esta revisão fosse suspensa. – As tentativas permanentes de impedimento da reavaliação de agrotóxicos ou de reversão das decisões já adotadas, através das constantes pressões políticas e demandas judiciais. Tais procedimentos tem sufocado o trabalho da Gerência. Oito produtos ainda estão pendentes de conclusão; a proibição do metamidofós foi emblemática, pelo tanto que onerou as atividades da equipe. – As tentativas de flexibilização da legislação, com o intuito de permitir a criação de normas que autorizem as alterações de composição e o reprocessamento de produtos, sem critérios técnicos fundamentados.

Abraços.

Luiz Cláudio Meirelles Pesquisador em Saúde Pública meirelles@ensp.fiocruz.br (21) 2598-2681/2682 Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana – CESTEH Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca – ENSP Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ Rua Leopoldo Bulhões, 1480, Manguinhos. CEP 21041-210 Rio de Janeiro,

O Fim da Greve dos Docentes: uma derrota histórica!!

Entre os dias 17 e 21 de setembro, as assembléias dos professores universitários deverão votar pelo fim da greve em todo o Brasil. É!!?? Sim, é o fim da greve. A maior e mais forte greve dos professores da história. Mas, em contrapartida, teve a maior derrota que outra greve nem poderia ter imaginado ocorrer.

E quem perde com isso? Os professores perdem, os alunos perdem, os futuros professores e futuros alunos perderão, a educação pública perde, ou seja, quem perde é a sociedade brasileira. Que continuará com universidades pública sucateadas, sem salas adequadas, sem prédios adequados, sem laboratórios, sem recursos humanos e financeiros suficientes para pesquisas de qualidade, sem recursos para que alunos e professores participem de congressos e encontros, sem recursos para publicar livros que tenham como autores professores e alunos, com banheiros insalubres, sem moradia estudantil, com RUs super lotados (e muitas universidades não tem RU), com quantidade de bolsas insignificantes….etc etc e etc….

Alguns irão perguntar: mas porque a greve dos professores foi derrotada? Diversos motivos poderiam ser apontados, mas chamo atenção para a instransigência da excelentíssima Tia Dilma, a continuidade (pelo PT) do projeto de universidade pública pensando pelo PSDB na década de 90 e a incapacidade da grande massa putrefata dos professores/as de se mobilizarem e participar dos atos públicos e das manifestações, ou seja, demonstrar sua real insatisfação com as condições de trabalho e dos salários (mas nem para reclamar publicamente dos salários não fizeram).

E agora josé? Agora é esperar pela próxima, isso mesmo, pela próxima greve, que sinceramente, espero que não exista, mas se continuamos nestas condições, que seja logo e que dure mais do que esta…

Greve na UFES: como fica…um breve relato

Ontem, dia 10 de setembro, ocorreu a assembléia dos docentes da UFES mais participativa, entusiasmada, enérgica e animada desta greve.

Um número surpreendente de professores/as presentes, inclusive um número substancial daqueles/as que nunca foram a nenhuma das assembléias, e porquê? A resposta é simples, ontem a expectativa destes/as era de que pudéssem votar o fim da greve. No entanto, o Comando dos professores da UFES já vinham avaliando a mais de 10 dias que não seria viável a continuidade da greve, por um número razoável de razões. Mesmo que o posiconamento possa ser contrário a esta avaliação.

Enfim, depois de um esfuziante e acalorado debate, tinha quase que absoluta certeza de que sairíamos da assembléia com um indicativo de fim imediato da greve com início das aulas no dia 17 de setembro. Mas, surpreendentemente, professores do CT, do CCS e tantos outros setores que nunca apareceram (com raras e valiosas exceções), votaram pela SAÍDA DA GREVE DE FORMA UNIFICADA, e pasmem, com apenas 2 votos contrários e mais de 100 votos a favor deste encaminhamento.

Desta forma, ainda não temos data para o retorno as aulas, pois só teremos quando o COMANDO NACIONAL DOS PROFESSORES do ANDES definir uma data consensuada ou definida por maioria. Ou seja, CONTINUAMOS EM GREVE, com um INDICATIVO DE SAÍDA DA GREVE DE FORMA UNIFICADA com as demais federais.

Chamo atenção para outras deliberações importantes, pois mesmo finalizando a greve, a Assembléia aprovou a manutenção do ESTADO DE GREVE (ou seja, ocorrendo as aulas, mas o movimento estará permanentemente avaliando um possível retorno a greve) e uma avaliação em Março de 2013 para definir ou não o retorno para a greve. Além disso, foi aprovado um calendário de mobilizações e atos públicos até o final do ano e um grande ato público em Brasília no dia da saída unificada da Greve.

Agora repito o que tenho dito sobre este momento: estamos nos 45 minutos do segundo tempo, mas como tudo pode acontecer num jogo de futebol, ainda pode ser que haja prorrogação e até penalidades máximas, vá saber! Até acabar a luz do estádio pode…

Redução da energia elétrica vai impulsionar o desenvolvimento brasileiro? E porque a gasolina vai amentar? como assim…

A redução de impostos para os consumidores sempre é muito bom, é algo que deve ser aplaudido em pé. Plá Plá Plá Plá…

E assim o Governo da Tia Dilma anunciou no dia 7 de setembro a redução de 28% na tarifa de energia para indústrias e 16,2% para consumidores residenciais.

Pois bem. Mas a história não para por aí. Como nada nessa vida vem de graça, por única e exclusiva bondade angelical, e a Tia Dilma de boba só tem o couro cabeludo, o governo já planeja um aumento de 7% a 10% da gasolina na bomba, ou seja, diretamente no bolso de cada um. Ou seja, tira de um e coloca no outro.

Mas não basta só isso. O Ministro Paulo Bernardo, aquele que acabou com o PT do Paraná e agora deixa de bandeja para sua capanhera, Gleisi Hoffman, fez um pronunciamento logo após o anúncio da Tia Dilma, afirmando que a redução da energia elétrica irá IMPULSIONAR A ECONOMIA BRASILEIRA. O que? foi isso mesmo que eu ouvi? Acho, quer dizer, tenho a certeza de que os políticas acreditam que o povo é burro, só pode. Se a solução para uma crise ou para impulsionar o desenvolvimento econômico capitalista de um país fosse tão simples, zera a conta da luz então!

Agora só falta dizer que no país da gasolina mais cara do mundo, o aumento do combustível é para que possamos fazer da Petrobras a maior empresa da galáxia. Ah é, e o superavit brasileiro, onde fica!!!

Iniciando uma avaliação sobre a GREVE dos professores universitários…

Pois bem, já estamos passando de mais de 110 dias de greve e já já adentrando no quarto mês de greve dos docentes.

Após os vários momentos que esta greve passou, a saber: a deflagração, o início, a consolidação da greve, as mobilizações nacionais, os processos judiciais, as propostas e contrapropostas, a não negociação do governo, a assinatura do acordo pelo PROIFES, a renegociação do acordo pelo PROIFES, a mídia apoiando/não apoiando, o apoio dos alunos, o não apoio dos alunos, enfim…e agora chegamos ao momento mais complicado e tenebroso desta greve.

Terminar ou não terminar? eis a questão…!!!

De um lado estão os que defendem a manutenção da greve, pois uma greve de professores só tem efeito se for de muitosss meses, porque toda greve que se PRESTE só tem algum efeito positivo se atrapalha alguém e pelo jeito começou atrapalhar somente agora. Alunos estão indignados e balbuciando agressivamente contra a greve. Assim como os professores não grevistas e que não acreditam nesta greve, estão cada vez mais indignados. Enfim, agora sim esta greve esta atrapalhando. Então alunos, quanto mais gritaria e desespero, mais vocês dão corda para estes grupos de professores que ainda acreditam na greve, ok!!!

No entanto, porém, contudo, todavia, do outro lado estão os que acreditam que ter a base de sustentação, ou seja, alunos e professores, contra a greve é como dar um tiro no pé, pois isto poderia levar a um isolacionismo total e completo dos comandos locais de greve, que tendo nas assembléias espaços de legitimação do movimento paredista (consideremos que a grande massa de professores contra a greve nunca foram, não vão e nem pretendem ir as assembléias, pois tem asco de imaginar-se como um grevista), irão utilizar-se disto para perpetuar por mais tantos e tantos meses. A questão é que defensores desta tese já estão prevendo um baque da base de sustentação, ou seja, professores e alunos que defendiam a greve passam a questionar e se colocar de certo modo contrários a ela. Acredito que estamos extamente neste momento, e que talvez, mais uma semana no máximo, o contigente de contrários estará mais visível e se colocando de forma mais contundente dos que os que estão querendo a greve.

Assim, as questões que continuam e se iniciam são: até quando vai esta greve? qual das teses serão utilizadas pelos comandos locais e nacional? existem outras teses….?

Eu tenho minhas opiniões e sou bem radical a partir delas…mas vou continuar com minhas análises mais distantes e analíticas para depois dar minhas cacetadas…ok…

Encenação Ato 2: Governo atende revisão de acordo solicitada pelo PROIFES

Isso mesmo, o Governo não negocia, não conversa, não sorri para o pessoal do ANDES, que representa 53 universidades em greve, no entanto, porém, contudo, todavia, assina uma acordo fundamentado na pauta desse tal de PROIFES e ainda reabre a negociação depois de 18 dias de acordo assinado.

Vejam a nota que o PROIFES publicou em seu site:

“Governo atende pleito do PROIFES-Federação”

“Em atendimento ao ofício encaminhado pelo PROIFES-Federação, em 21 de agosto último  quando solicitou ao governo o atendimento imediato, antes mesmo do início do Grupo de Trabalho previsto para setembro, o governo, em ofício datado de 28 de agosto (leia em anexo) respondeu positivamente as reivindicações apresentadas dos seguintes pontos a serem incorporados já no Projeto de Lei:
  1. Não haverá mais barreiras para a progressão para a Classe DIV da carreira do EBTT;
  2. Os professores que se encontram atualmente no cargo de professor Titular serão enquadrados na nova Classe de Professor Titular na carreira reestruturada;
  3. O Decreto que regulamenta o artigo 120 da Lei 11.784 (EBTT) autorizando a progressão dos professores da classe DI para DII ou DIII de acordo com a titulação está tramitando na Casa Civil devendo ser promulgado o mais breve possível.

Diante dessa nova vitória da negociação da Federação com o governo, os professores tanto do Magistério Superior quanto do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico avançam nessa nova etapa da luta. Os demais itens pendentes, previstos no Termo de Acordo, serão tratados quando da instalação do Grupo de Trabalho.”

A questão é: alguém acredita em papai noel? alguém ai acredita em coelhinho da páscoa? pois bem, é obvio que PROIFES e Governo da Tia Dilma ENCENARAM tudo isso. Não tem como ser diferente. Fizeram para demonstrar que eles podem, que eles fazem e acontecem.

Uma demonstração cênica do governo, dizendo que mesmo após finalizar o acordo com o “Sindicato que não representa ningém”, a Tia Dilma “continua disposta” a negociar. A tá!!! Com o PROIFES a Tia Dilma faz jogo de amizade, de grandes e históricos amigos, em contrapartida o ANDES é a traição e o jogo de esconde.

Mais privatizações estão previstas para setembro nos portos e aeroportos

Acho que Renato Russo estava certo: “O Brasil vai ficar rico quando vender todas as almas dos nossos índios em um leilão.”

Publicado no site da Radio Agência
qua, 29/08/2012 – 16:19 — Vivian
Está previsto para setembro o plano com as medidas de concessões de portos e aeroportos estatais do país, segundo informou o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. A EPL é uma agência reguladora criada para acompanhar as privatizações.

Esta iniciativa se soma ao plano de concessões de estradas e ferrovias, lançado em agosto, em que foram privatizados 7,5 mil quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias. Neste caso, os investimentos previstos são de R$ 133 bilhões, sendo 80% bancado pelo BNDES.

Este ano, os aeroportos de Guarulhos (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Brasília já foram privatizados. O leilão ocorreu em fevereiro e arrecadou R$ 24,5 bilhões no total. O modelo adotado incentivou o maior preço e não criou exigências de entrada. À época, o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Lemos, criticou as concessões.

“Esse é um modelo de neoliberalismo, de financiamento e lucratividade alta, que a gente percebe, claramente, que não traz resultado. O resultado é muito pouco para a sociedade. E ficamos perguntando novamente: o Estado está a serviço de que? Da lucratividade ou do resultado de serviço e governabilidade para a sociedade?”

Para o sociólogo César Sanson, comentarista da Radioagência NP, apesar do governo federal recusar o rótulo de privatização, é disso que se tratam as concessões.

“O fato incontestável, entretanto, é que ‘concessão’ é um eufemismo para ‘privatização’. No modelo de Parceria Público-Privada (PPP), o Estado realiza os investimentos e repassa a exploração para a iniciativa privada. No caso da pura e simples privatização, o Estado vende os ativos para o setor privado.”