Lições da greve dos professores das universidades federais

Por Franck Tavares

Instantes atrás, encerrou-se uma das maiores assembleias docentes do Brasil contemporâneo, prestigiada por quase 700 pessoas. Ali, de um lado estavam o Governo, a Andifes e um sindicato que se comunica com suas bases por intermédio das chefias, descumpre acordos subscritos por sua presidente e se filia a uma federação cartorial, composta por agentes de partidos governistas, cuja principal figura pública recebe recursos do Governo Federal para redigir pretensos estudos e relatórios que desfavorecem a categoria em nome da qual insiste, ilegitimamente, em falar. De outro lado, docentes que esperam por negociar condições dignas e razoáveis de trabalho, como critérios claros de promoção e respeito ao mandamento constitucional da autonomia universitária.

A primeira votação concentrou-se sobre uma questão procedimental de ímpar relevância. Ocorre que os representantes do Governo, sindicato e demais setores autoritários propuseram que não deveriam ocorrer exposições ou interlocuções sobre os rumos do movimento grevista e as propostas em discussão. Entendiam que, sem qualquer processo discursivo prévio, dever-se-ia efetivar uma sumária votação, binariamente estruturada em termos de greve ou não greve. Em suma, a lógica Arena/MDB ou, mais precisamente, o binarismo do Senado Romano, onde nunca houve nada semelhante a uma democracia, era a escolha procedimental daqueles que queriam calar as vozes de quem é autônomo em relação ao Governo ou às burocracias sindicais. Por estreita margem, inferior a 30 votos, venceu a democracia, assim entendida como livre troca de ideias e opiniões entre pessoas que se reconhecem como mutuamente racionais e iguais.

A segunda votação foi a prova empírica de que a democracia se forja na interlocução e de que a censura da pluralidade de entendimentos é o cemitério da legitimidade dos processos decisórios. Já assegurada a ampla participação dos presentes, não apenas por meio do mecânico levantar de braços pressuposto no voto, mas mediante a tão humana prática do uso da linguagem como instrumento para a interação com o outro, decidiu-se sobre a continuidade da greve. Após a apresentação de argumentos, dados e informações, inúmeros professores, a princípio contrários ao movimento paredista, mudaram de entendimento e, assim, alcançou-se ampla maioria, de 379 votos contra 267, em favor do prosseguimento das lutas reivindicatórias.

A terceira votação demonstrou de que lado está a razoabilidade e a ponderação, concedendo-se mandato para que o Comando de Greve apresente contra-proposta ao absurdo “acordo” firmado entre os braços ministerial e sindical de uma única e integral parte, o Governo. Sim, disseram os docentes, estamos dispostos a abdicarmos de parte das nossas reivindicações, queremos negociar e, para tanto, sabemos que o único meio efetivo é a continuidade da greve, uma vez que jamais fomos respeitados pelo Poder Executivo em contexto diferente.

Não é fácil lutar contra o Governo, a Andifes, o Proifes, a Adufg e seus mais recentes aliados, as chefias de algumas unidades, com quem, pasme-se, a entidade sindical tem contado para recrutar pessoas para as suas esvaziadas reuniões, em que se ignoram as prestigiadas, democráticas e amplas assembleias. Mas somos a maioria e, hoje, venceu o livre debate, venceu a democracia e, sobretudo, venceu a autonomia dos docentes, cujo destino não é definido por aparatos burocráticos que não falam em nosso nome. É importante que todo o Brasil saiba: o cartório Proifes celebrou um acordo nulo juridicamente e ilegítimo politicamente, uma vez que se fundamenta em supostas “15 reivindicações” que jamais foram submetidas à aprovação junto às bases dos sindicatos filiados a essa federação, como exige o artigo 4o da Lei de Greve. Aqui na UFG, aliás, o cartório que diz falar em nosso nome foi expressamente desautorizado a nos representar em inúmeras ocasiões.

Outra bela lição da assembleia desta tarde nos foi ministrada pelos estudantes. Foi engrandecedor e pedagógico ver, minutos após a fala de um professor que defendia o fim sumário da greve – sem debates ou concessão do direito de voz aos presentes – em nome do superior interesse dos “nossos prejudicados alunos”, escutar a lúcida exposição de um representante do movimento estudantil, a lembrar que também os discentes estão em greve e que, em nome deles, falam as respectivas representações, antes de autoritários professores, que acreditam ser a voz de uma juventude independente e firme, de quem jamais receberiam mandato.

Amanhã, seguimos para um protesto em Brasília.

Queremos negociar. Temos contraproposta e muita sensatez.

A greve é forte! A luta é agora.

Francisco Mata Machado Tavares (Franck) é professor da FCS/UFG

Filho de Peixe, Peixão é: “Lula defende rigor de Dilma com greves”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na quarta-feira,  15, a posição da presidente Dilma Rousseff sobre a greve dos servidores  federais, ao afirmar que o governo nem sempre pode atender às reivindicações. O  ex-presidente destacou que Dilma “quer ajudar as pessoas mais pobres, que não  têm salário”. “É direito dos trabalhadores fazer greve, mas é direito do governo  atender ou não”, disse, após gravar para o horário eleitoral gratuito de  candidatos do PT num hotel da zona sul de São Paulo.

Texto extraído de: Jornal O Estado de São Paulo

PT Privatista e NeoLiberal ressurge das catapultas da tucanagem

Por André Michelato

Segundo matéria d’O GLOBO, o Governo Dilma, “em um esforço que superou as previsões mais ousadas da iniciativa privada, anunciou ontem o que chamou de o maior plano de investimentos em transportes da história, envolvendo a concessão de ferrovias e rodovias à iniciativa privada.”

Este Programa de Investimentos em Logística prevê investimentos de R$ 133 bilhões até 2037. Isto mesmo, até 2037!!!

Dilma, a Chefona, chama isso de concessão, mas o que dizer de uma concessão de mais de 25 anos? É o mesmo caso que ocorreu nas rodovias no Estado do Paraná, quando Jâime Lerner (o mafioso) as privatizou, quer dizer, desculpe-me, fez a concessão. Mas é que na época, a PTzada (que até então me dizia um deles) destroçou e se rebelou agressivamente contra tal atitude.

Pois bem, mas em menos de 15 anos depois, o PT é elogiado pelo PSDB, em função da grandiosa atitude de PRIVATIZAR os caminhos de ir e vir do povo brasileiro.

Ainda tem mais, segundo informações palacianas, o governo exigirá dos vencedores da privataria que invistam R$ 79,5 bilhões nos próximos cinco anos. Alguém aí sabe me dizer de onde virá esse dinheiro? não, como não?!! A resposta deveria ser automática e imediata: dos caixas do governo, dos nossos impostos, via BNDES.

Mas não acaba por ai: a matéria do jornal O GLOBO ainda chama atenção para o fato de que “o anúncio do programa foi feito pela presidente Dilma Rousseff para empresários que movimentam boa parte do PIB do país.” Bom, alguns pensariam, mas porque para esses caras? é simples, eles são os principais FINACIADORES DE CAMPANHA no Brasil. Capiche?

É mais uma forma de repetir, copiar, reproduzir o que os partidões a mando do capital fazem: liberam dinheiro e se perpetuam no poder até que os chefões da máfia brasileira os queiram.

A fórmula é simples, mas a conta é cara.

Em semana decisiva, governo muda estratégia para encerrar greve de mais de 350 mil servidores

O governo não está disposto a estender as negociações  de aumento salarial dos servidores federais com as centrais sindicais para  depois de 31 de agosto, quando vence o prazo para o encaminhamento do orçamento  de 2013 ao Congresso Nacional, que pode incluir mudanças como novos reajustes  até dezembro. “As negociações estarão encerradas em 31 de agosto. A partir daí,  ficam para uma nova negociação em 2013”, afirma ao iG o secretário de relações  de trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça.
Destacado pela ministra Miriam Belchior para negociar  com os sindicatos, Mendonça indica que esta semana será decisiva para encerrar  as greves de cerca de 350 mil servidores de 30 categorias, segundo a  Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) – nas contas  do governo, a adesão envolve de 70 mil a 80 mil trabalhadores da União em todo o  País.

Para encerrar as paralisações, o secretário afirma que o  governo pode abrir mão das negociações setoriais até agora em curso para  realizar conversas coletivas com diversas categorias  ao mesmo tempo. “Optamos nos últimos meses por negociações setoriais. Agora,  tendo pautas que atendam a todos os servidores – o que estamos analisando no  orçamento – chamaremos as entidades em blocos”, sinaliza.
A mudança de estratégia depende ainda da reelaboração da conta de  gastos com pessoal prevista para orçamento de 2013. A conta está sendo refeita  pelo Planejamento. Por ora, a única certeza é de que os R$ 92,7 bilhões pedidos  pelas centrais sindicais é uma fábula que o governo não irá endossar. “Esse  número está absolutamente fora de propósito. É muito grande e inviável. Esses R$  92,7 bilhões representam quase metade folha de pagamento  (R$ 187,8 bilhões, em 2012)”, diz.
Sindicatos: relação  abalada
Mendonça avalia que o governo vive um “momento de  aprendizado”, tendo decidido acumular as negociações para julho, próximo ao  prazo final definido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias para finalizar o  orçamento.
A justificativa é a de que era preciso tempo para  medir o impacto da crise internacional na economia  brasileira antes de abrir o cofre. O secretário reconhece que houve demora para  apresentar propostas. “O governo tem de estruturar sua capacidade de atender  demandas”, avalia.
O tempo curto para negociar setorialmente  é criticado pelas centrais sindicais, que reclamam da falta de disposição do  governo em discutir reestruturações de carreira, ficando preso apenas a aumentos  de salário. “Há um erro no governo de dizer que tem limitação no Orçamento e não  dizer qual é. Deveria pegar a proposta do servidor e falar: `Isso eu não posso  atender, mas posso fazer isso aqui`”, afirma ao iG o secretário-geral da Central  Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre .
O secretário nega que a  pressão dos grevistas estaria fazendo a presidenta Dilma Rousseff colocar o  ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) no debate com poder  de decisão . Até agora, Carvalho tem apenas ouvido as centrais, sem poder fechar  acordos.
O que se comenta no Planalto é que a presidenta estaria  querendo retirar parte das negociações da alçada do Planejamento. Mendonça nega  a pressão. “É permanente a aproximação com a Secretaria-Geral, que tem a  determinação de ouvir os movimentos sociais. Mas a prerrogativa de negociação é  do Ministério do Planejamento”, afirma.
Punição em planejamento
Com a prioridade de manter o nível de emprego no setor privado,  sensível à retração econômica internacional, a presidenta Dilma Rousseff  engrossou o tom na última sexta-feira, afirmando que o governo vai “assegurar  empregos para aquela parte da população que é a mais frágil, que não tem direito  à estabilidade”.
Mendonça, que concedeu entrevista ao iG no instante em  que Dilma retrucava grevistas em Rio Pardo de Minas (MG), afirma que “a  preocupação é a retomada da economia e a preservação de empregos no setor  privado”.
Em meio a greve, Dilma diz que visa emprego para quem  não é estável
É nesse sentido que o governo sinaliza que pode punir  os grevistas com corte de ponto e o remanejamento de pessoal para áreas mais  afetadas pela paralisação. Os professores universitários serão os primeiros  punidos com corte de pagamento.
O governo garante que não irá elevar a  proposta de aumento de R$ 4,2 bilhões para a categoria em parcelas em março de  2013, 2014 e 2015. A proposta foi aceita apenas por parte dos professores , que  mantêm as aulas paradas em boa parte do país.
O mesmo vale para o R$ 1,7  bilhão proposto aos técnicos administrativos das universidades e institutos  tecnológicos federais em greve. “A proposta do governo é essa: R$ 1,6 bilhão de  aumento para os professores em 2013 e R$ 530 milhões para os técnicos”, diz  Mendonça.

Texto extraído de: Portal IG

 

Dilma pede arrego para Lula: é o fator Greve balançando as estruturas do poder Ptista. Será?

Matéria publicada no Valor Econômico 10.08.12

Dilma pede ajuda a Lula para enfrentar as greves

A greve dos funcionários públicos federais, que já mobiliza 350 mil servidores, ameaça virar “um tsunami” na avaliação de lideranças do PT. Por isso, a presidente Dilma Rousseff pediu ajuda ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as negociações com os grevistas. Lula deve atuar principalmente para atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura, como demonstrado ontem com a decisão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outros cinco sindicatos de servidores de representar contra o governo federal na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A intermediação de Lula pode contornar um fenômeno que se cristalizou nos últimos dias: a impaciência dos sindicalistas com diálogos quase sempre sem um desfecho. A base dos sindicatos não tem sido receptiva à intermediação mais ponderada dos dirigentes. Na conversa que teve com Lula, na terça-feira, Dilma queixou-se da relação das centrais sindicais. Os dirigentes sindicais, inclusive da CUT, também se queixam do tratamento recebido do Palácio do Planalto. Segundo eles, após chegar ao Planalto, Dilma não teria retribuído o apoio que teve na campanha eleitoral. E não teria cumprido promessa de manter um diálogo permanente com a central dos petistas.

Greve acirra relação entre Dilma e CUT e Planalto pede ajuda de Lula

A intermediação passou a ser feita com Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, encarregado, no Planalto, de lidar com os movimentos sociais. Mais tarde, Carvalho chamou para assessorá-lo um dos vice-presidentes da CUT, José Vicente Feijó.

As greves começam a afetar a operação das indústrias. Em Santos, o volume de contêineres parados nos quatro terminais marítimos aumentou ontem 35% sobre o dia anterior em razão da greve dos fiscais agropecuários. Entre as mercadorias, estavam produtos siderúrgicos, automotivos, agentes orgânicos, medicamentos, arroz, frutas, eletrônicos e pastas químicas de madeira.

A greve dos fiscais ligados ao Ministério da Agricultura atinge um universo maior de cargas porque, além de serem responsáveis pela inspeção de mercadorias de origem vegetal e animal, a categoria vistoria toda a madeira que entra no país para evitar a introdução de pragas.

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ajudar o governo na negociação da greve geral dos servidores públicos. A intermediação do ex-presidente foi acertada durante conversa de Lula com a presidente Dilma Rousseff, na última terça-feira. Lula deve atuar principalmente no sentido de atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura, como demonstrado ontem com a decisão da Centra l Única dos Trabalhadores (CUT) e outros cinco sindicatos de servidores de representar contra o governo federal na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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O PT como patrão

Carta de demissão de César Augusto Brod, responsável pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

“Orientação sobre a folha de ponto dos servidores em greve Informo que, seguindo orientação superior do MP, os grevistas deverão ter os pontos cortados, desta forma não deverá constar nenhuma observação na folha de ponta dos servidores que estão de greve e não registraram o ponto. Já aqueles servidores que estão de greve e mesmo assim registraram o ponto deverão ter seus pontos cortados (anulados) já que não trabalharam. Quanto aos servidores que estão trabalhando normalmente e que não puderam trabalhar no dia 5 de julho por causa da greve dos ônibus podem ter seu dia abonado, código 05.”

Sou coordenador geral de inovações tecnológicas do departamento de sistemas de informação da secretaria de logística e sistemas de informação do ministério do planejamento, orçamento e gestão do governo do Brasil. Estou neste cargo desde setembro de 2011. Hoje comunico, publicamente, meu pedido de exoneração.

Todos sabem qual é meu salário graças à Lei de Acesso à Informação. Preciso deste salário e, de fato, tenho orgulho em merecê-lo. Mas a partir do momento em que tenho que ferir meus princípios para manter minha remuneração, meus princípios sempre ganharão o jogo, independente do que virá depois.

Trabalho, há bastante tempo, com o conhecimento livre e modelos de negócios baseados nisso. Em Porto Alegre, no final dos anos 1990, tive o prazer de ver um projeto de governo crescer levando em conta a crença em que a liberdade ampla para todas as formas de conhecimento era um fator gerador de inovação tecnológica e de criação de emprego e renda. Apoiei esse projeto mas nunca integrei nenhum quadro do governo até setembro de 2011, quando assumi o cargo acima mencionado, e passei a ser o responsável pelo Portal do Software Público Brasileiro, pela Infraestrutura Nacional de Dados Abertos, além de outras atividades.

Não foi fácil, vindo da iniciativa privada e há mais de doze anos como empresário, aprender a hierarquia e a burocracia que são parte de um emprego público. Aliás, esse é um aprendizado constante. Mas segui trabalhando com minha paixão: liberdade de conhecimento como geração de inovação e riqueza. No decorrer de meu trabalho deparei-me com a greve do funcionalismo federal, à qual aderiram muitos dos que estavam sob minha coordenação. Enfrentar uma greve como executivo público foi algo totalmente inédito para mim. Acompanhei greves desde o tempo de meu avô, no surgimento do PT. Toda a  articulação para as greves, para a criação de uma força que mudasse o estado, conscientizou uma população que colocou o PT no poder. Mas o PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. O PT patrão apenas aprimora as táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua.

O PT patrão virou governo, melhorou o país e acha que não depende mais da máquina que sustenta o estado. O PT patrão, que fez muito pela nação, tem a certeza de que vai muito bem sozinho. E está indo mesmo!

Eu espero que nosso país siga melhorando, mas estou nele para mudá-lo e não para cumprir ordens com as quais não concordo. Como coordenador, jamais cortarei o ponto daqueles que trabalham comigo e estão em greve. Independente da greve, eles cumpriram seus compromissos civis sempre que necessário. E, na greve, cultivaram ainda mais sua união na crença da construção de um Brasil melhor”.

(César Augusto Brod, responsável pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão).

A Greve na UFES e no IFES continuam!!!

Em assembléia na sede da ADUFES, ontem, 06 de agosto de 2012, mesmo após o governo fechar acordo com um sindicato que não existe formalmente, legalmente, oficialmente, e se diz representante de menos de 5% das instituições federais de ensino, os professores da UFES (mais de 160) votaram pela continuidade da greve, não havendo votos contrários.

O problema é que a velha e carcumida mídia, aliada dos recursos governamentais, estão conseguindo convencer parte da população de que professores são egoistas e mercenários do erário público. Grande engodo. Os professores não querem aumento, aumento e aumento, nós queremos um plano de carreira organizado, racianlizado, exequivel, mínimamente possível de ser visto como plano de carreira, além da urgente melhoria das condições de prédios, número de funcionários, verba para pesquisa e extensão, entre tantos outros….e como não poderia de faltar, evitar a PRIVATIZAÇÃO do ensino público, que para quem não esta acompanhando o debate da greve, este governo que se diz de esquerda, esta indo muito mais além do que o DEM e o PSDB gostariam….desejariam….

Se os professores são tão egoistas e vagabundos, como explicar que mais de 100 mil estão de braços cruzados e indignados com este acordo imbecil da Dilma…impossível haver consenso se fosse boa a proposta….realmente impossível, ainda mais se tratando de uma categoria tão conservadora e afetada pela normoze…a situação é realmente drástica…

 

A oposição encolheu ainda mais

Publicado no http://www.roseliabrao.com/index.php?id=1487

Quem constata é o senador paranaense Alvaro Dias, do PSDB, em seu blog: com a saída dos deputados Fernando Francischini e João Caldas do PSDB para o recém-criado PEN, a oposição brasileira encolheu ainda mais e atingiu uma nova marca histórica. Agora, os quatro partidos que se opõem ao governo da presidente Dilma Rousseff somam 89 deputados, ou 17,3% das cadeiras na Câmara.

No Senado, o percentual é praticamente o mesmo. De 81 Senadores, apenas 15 estão na oposição, atesta o senador. — O número não encontra precedentes mesmo durante o regime militar: na Câmara, o oposicionista MDB nunca teve menos de 28% das vagas – apesar de, entre os senadores, o predomínio governista ter sido maior. O desiquilibrio da representação popular é ruim para a instituição parlamentar, para a democracia e o país, lamenta.

Emergentes elevarão capitalização do FMI a US$ 456 bilhões

Fonte: Gazeta do Povo

Os principais países emergentes detalharam nesta segunda-feira (18) seus planos para aumentar os cofres do Fundo Monetário Internacional em mais de US$ 90 bilhões, o que irá elevar os novos compromissos totais para US$ 456 bilhões, segundo o FMI.

A China está prometendo US$ 43 bilhões, enquanto Índia, Rússia, Brasil e México disseram, na reunião de cúpula do G-20, que vão liberar US$ 10 bilhões cada um. A Turquia se comprometeu com US$ 5 bilhões, enquanto outros países ofereceram US$ 1 bilhão.

As promessas demonstram “o amplo compromisso dos membros para garantir que o FMI tenha acesso a recursos adequados para cumprir o seu mandato no interesse da estabilidade financeira global”, disse a gerente do FMI, Christine Lagarde, em um comunicado. “Esses recursos estão sendo disponibilizados para a prevenção e a resolução de crises e para atender às necessidades de financiamento de todos os membros do FMI.”

Em abril, o G-20 havia se comprometido a aumentar o fundo do FMI em meio à piora na crise da dívida da zona do euro, com a maioria dos recursos provenientes de países europeus. Mas a fonte de US$ 70 bilhões dos US$ 430 bilhões anunciados pelo FMI não havia sido revelada na época. As informações são da Dow Jones.

Senhora Miriam Belchior e a Greve dos Professores

FOLHA DE SÃO PAULO São Paulo, domingo, 17 de junho de 2012

Elio Gaspari

A comissária se esqueceu do passado Miriam Belchior adotou o ‘modelo Scania’ na negociação com professores e produziu uma ruína A comissária Miriam Belchior, ministra do Planejamento, conseguiu uma proeza. Veterana militante do PT, provocou uma greve de professores das universidades federais que durou um mês e poderá terminar com atendimento da principal e justa reivindicação dos servidores. Desde agosto do ano passado, o Planejamento sabia que os professores reivindicavam um plano de carreira semelhante ao que existe no Ministério da Ciência e Tecnologia. Estava aceso o sinal do risco de greve. O assunto vinha sendo negociado por Duvanier Paiva Ferreira, secretário de Recursos Humanos da doutora Belchior. Em janeiro, Duvanier foi acometido por três desgraças: teve um infarto, tinha o plano de saúde dos servidores federais e era negro. Foi a duas casas de saúde, daquelas que têm nomes de santas (Lúcia e Luzia) e não foi atendido. Morreu. A prudência recomendava que a negociação fosse imediatamente retomada, mas empacou. A ideia da greve avançou e ela estourou no dia 17 de maio. Pararam 14 universidades. Neste momento, a comissária Miriam adotou o “modelo Scania” de negociação. O governo só conversaria com o retorno ao trabalho. Foi reforçada por çábios da Advocacia-Geral da União que defendiam a decretação da ilegalidade do movimento. Novamente o “modelo Scania”, mas felizmente a proposta foi rebarbada. A greve expandiu-se para 49 instituições, parando 55 mil professores. Depois de um mês, com um prejuízo de R$ 1 bilhão para a Viúva, a perda de aulas para cerca de 600 mil estudantes, o governo se reuniu com os grevistas. Na melhor técnica da marquetagem, a comissária Belchior e o ministro Aloizio Mercadante (tão frequente nas cenas de comitivas presidenciais) não apareceram na fotografia. O governo apresentou a promessa de um plano de carreira semelhante ao do Ministério da Ciência e Tecnologia e informou que oficializará a proposta nesta terça-feira. A ministra é futricada na Esplanada dos Ministérios por colegas que se queixam dela por não devolver telefonemas no mesmo dia e por marcar reuniões com 15 dias de espera. Até aí, pode ser a maledicência de Brasília. A poderosa comissária tinha 20 anos em 1978, quando os barões da indústria automobilística e a diretoria da fábrica de caminhões Scania souberam que 3.000 operários haviam entrado em greve. O patronato disse que só conversaria quando a patuleia voltasse ao trabalho. Buscaram com sucesso a decretação da ilegalidade da paralisação. Quebraram a cara. A greve alastrou-se pelo ABC, parando 100 mil operários em 55 empresas. Ao final, cederam e assim nasceu um novo personagem na política brasileira: Lula. Dois anos depois, Miriam e seu namorado, Celso Daniel, ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores.