Será que estamos chegando ao final da greve dos professores universitários? Um desabafo comedido…

Pois bem, estamos chegando aos 110 dias da greve dos docentes das universidades públicas. Com certeza será extrapolado o período de 115 ou 120 dias. Além de ser a greve com mais força e adesão da história do movimento docente, também poderá alcançar o maior período de paralização dos docentes das universidades públicas.

Mas a questão continua: será que estamos chegando ao final da greve dos professores universitários? Ao que parece ainda é uma grande dúvida, mas que já aponta caminhos. O Comando Nacional de Greve dos docentes do ANDES, deliberou no domingo (02/09) encaminhamentos para que sejam avaliadas pelas assembléias locais. A pauta destas serão a continuidade da greve e possibilidades para uma saída unificada (nacionalmente) da greve, ou seja, mesmo que a maioria das assembléias votem por uma retirada programada da greve, ainda ficaremos ao menos, mais uns 10 ou 15 dias.

Retorno ou não, a UFRJ encerrou a greve, foi a única da base do ANDES que retornou (de um total de 53), mas a mídia, parte expressiva dos alunos e um bando de professores comemoraram, Brasil a fora, como se fosse final da copa do mundo. Para mim, isto só demonstra a ausência total e completa da CAPACIDADE de realizar uma análise, diria profunda, mas tenho certeza de que é superficial e rasa do que esta posto na mesa, ou seja, do que estamos realmente discutindo nesta greve.

Uma coisa é fato: esta greve só não conseguiu, ainda, avançar nas pautas de reivindicação, por um único e exclusivo motivo – A GRANDE MASSA DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DESTE PAÍS não vão as ruas, não participam das assembléias e tem OJERIZA a participar de qualquer processo social que altere o status quo de seus reinados estabelecidos nas suas salas de aula e gabinetes.

O que é pior de tudo isto, é que no segundo dia após o final da greve, teremos estes mesmo professores/as reclamando do salário, das condições de trabalho, do produtivismo, do stress, da infra estrutura das universidades, da falta de recursos para pesquisa, da sobrecarga de trabalho, bla bla bla…..

Até quanto este país irá reforçar e reproduzir a IDEOLOGIA reinante desta ELITE intelectual?

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É por isso que não temos uma Universidade Estadual!!

Me parece que as mesmas soluções que o Governo FHC, sob a batuta do falecido Ministro Paulo Renato, deram para o ensino superior no Brasil é a mesma solução que o Governo Hartung-Casagrande estão dando para o ES. Ou seja, deixa o vácuo do ensino público tomar forma, corpo e cheiro, e a iniciativa privada entra com força total. E com um detalhe, acrescentaram a solução dada pelo Governo Lula, sob a batuta do então Ministro Haddad, que são as bolsas do PROUNI, que aqui no ES são chamadas de Programa Nossa Bolsa, que na verdade é um grande financiamento para universidades particulares, pois além de reduzir a quase zero a inadimplência, ainda garante que o aluno faça 4 ou 5 anos sem desistir, é uma baita “solução” para o populismo deste governo.

Pois é, e o que estamos vendo no Estado comandado pelo Senhor Hartung-Casagrande é exatamente isto, vejam só a matéria que segue abaixo, publicado no Jornal ES Hoje:

Grupo investe R$ 70 milhões em nova faculdade na Serra

Nesta sexta-feira, dia 27, a Serravix, faculdade do Grupo Univix, inaugura sua nova sede, localizada em Laranjeiras, município da Serra. Além de boa localização, o espaço conta com estrutura moderna e terá capacidade para abrigar até 15 mil alunos. Atualmente, três mil já estão matriculados nos 11 cursos oferecidos pela instituição. A primeira etapa do empreendimento começou a tomar forma em junho do último ano e, em sua totalidade, o projeto vai comportar 36 amplas salas de aula, biblioteca com 1.000 m², cantina, setores administrativos e estacionamento com 900 vagas.

O investimento totaliza recursos na ordem de R$ 70 milhões e o prédio foi erguido em um dos melhores pontos de Laranjeiras, próximo a um terminal do Transcol, supermercados, hospitais e toda a estrutura que o bairro oferece. O valor investido será distribuído em diversos pontos da estrutura da faculdade ao longo de sete anos e a construção da obra está sob os cuidados da Metron Engenharia, uma construtora que atua há mais de 35 anos no Estado.

“A obra da nova sede da Serravix irá fortalecer e consolidar o Grupo Univix como o maior no setor de ensino do Espírito Santo. A nossa preocupação é aliar estrutura de ponta a excelência no ensino para os nossos alunos”, afirma o diretor geral do Grupo Univix, que é composto pelas faculdades Serravix, Univix, Unisam e Univen, Tadeu Penina.